A mágica da reciclagem

Por: Claudia Mayara  (Mayara@abcdmaior.com.br)

Antônia Pinheiro faz arte com o que muitos descartam

 

O bom artista renova, inova, inventa. E é assim, de maneira livre, solta e sem limites que a imaginação de Antônia Pinheiro Ferreira, 61 anos, trabalha. As incansáveis mãos da artesã cortam, modelam, pintam, bordam, criam e sem esforço transformam lixo em arte. Na casa desta cearense nada é descartável, tudo é matéria-prima. Com dedicação e bom gosto, caixas de leite ou de sabão em pó, coadores de café usados, embalagens de fraldas descartáveis, revistas e guarda-chuvas velhos se transformam, como em um passe de mágica, em bolsas, sacolas e até mesmo em roupas infantis.

A dedicação à arte da reciclagem nasceu junto de outro sonho, o de estudar. Antônia ou Toninha, como foi apelidada carinhosamente pelo pai, nasceu no Ceará e ainda pequena se mudou com a família para o Maranhão, em busca de melhores condições de vida. A difícil vida no Nordeste dava poucas opções para quem queria estudar ou ter uma profissão. Mas Toninha não desistiu, pois queria descobrir o universo por detrás daquelas letrinhas miúdas dos livros.

Apesar das dificuldades, a menina agarrou a única oportunidade que teve de estudar. Frequentou as aulas por um ano e meio, mas teve de sair quando a escola fechou. O sonho de estudar ficou, então, trancado no coração, assim como o desejo de retomar os estudos. Porém, com 15 anos a jovem se casou e apesar de aos 18 anos já morar no ABCD, onde os estudos eram uma possibilidade ao alcance das mãos, logo vieram os filhos e a vontade de estudar teve de ser adiada.  Quando os quatro filhos cresceram, vieram os netos e, mais uma vez, Toninha teve de deixar os estudos de lado para cuidar da família.

Mesmo adiado por várias vezes, o desejo de aprender sempre esteve presente na vida dela. Entretanto, a cearense só conseguiu realizar este sonho após os 50 anos, quando filhos e netos já estavam crescidos e encaminhados na vida. Toninha então se inscreveu no Mova (Movimento de Alfabetização) de Santo André. E foi na sala de aula que descobriu o amor pela reciclagem e o dom pela arte.

O que era um simples trabalho de escola se transformou em profissão. De lá para cá, já são mais de dez anos se dedicando ao trabalho com reciclagem. Para Toninha, o amor à arte está no sangue e vem da avó, que era artesã. Mais do que um passatempo, o trabalho ambientalmente correto se tornou um orgulho. Atualmente, Toninha faz peças sob encomenda para escolas, desfiles e amigos.

Para a artesã, a vida não poderia ser melhor. Mas, neste ano, o destino lhe reservou uma surpresa. A mulher que esperou 50 anos para estudar, agora tinha também a oportunidade de ensinar. Com o convite, a ex-aluna se tornou professora voluntária do projeto Brasil Alfabetizado, antigo Mova de Santo André. “É uma realização poder ajudar quem tem o mesmo sonho, que um dia eu tive, o de aprender. O sentimento é especial.”

 

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